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Lisboa à distância de um click
Já é possível saber os horários e trajectos dos vários meios de
transporte da área metropolitana de Lisboa. O próximo passo é fornecer
outro tipo de informações, inseridas em roteiros.
Numa cidade onde existem diversos tipos de meios de transportes, com
outros tantos operadores, nem sempre é fácil perceber qual o melhor
percurso entre dois pontos. E os horários? Parece que estão sempre a
mudar.
Foi a pensar nestas e muitas outras situações que surgiu o
Transporlis. O conceito oficial define-o como um sistema de informação
multimodal de transporte de passageiros da área metropolitana de Lisboa.
Numa linguagem mais simples? Trata-se de um portal onde o utilizador
pode descobrir qual o melhor percurso, obter informações sobre horários
e tarifários e “brincar” sobre o mapa de Lisboa. Dado que o Transporlis
assenta num sistema geográfico o utilizador pode manipular o mapa,
interagindo com os vários tipos de informação disponíveis.
O anúncio oficial do Transporlis ocorreu em Novembro do ano passado,
no entanto o projecto teve origem em 1998, aquando da Expo 98. Na altura
houve a necessidade de articular as informações referentes ao transporte
aéreo com os outros meios, assim como disponibilizar dados como a
localização de hotéis, pontos de referência, ... Para tal foi
estabelecida uma parceria entre os vários operadores de transporte de
passageiros da área turística de Lisboa, no chamado projecto AMMOS -
Acesso Multimodal Multimédia Orientado para os Serviços.
Embora interessante e com potencial o projecto cedo sentiu algumas
dificuldades. Por um lado houve todo um trabalho na criação e
desenvolvimento do algoritmo do sistema geográfico. Segundo Isabel
Rebelo, assessora da ANA – Aeroportos de Portugal e responsável pela
coordenação do projecto em nome dos operadores de transportes, o AMMOS
chegou a ter fornecedores estrangeiros. Depois de muita análise optou-se
pela Gismédia, que ficou responsável pelo desenvolvimento do algoritmo,
incluindo direitos de propriedade. Outro parceiro importante foi a
Autodesk. “Era a única solução GIS que possibilitava, a nível web,
tempos de resposta adequados”, afirma. Sendo que, actualmente, esta
mesma plataforma tecnológica continua a dar resposta às necessidades do
projecto. “É um software eficiente e fiável”, acrescenta.
Com a parte tecnológica resolvida surgiram outras questões: porquê só
o concelho de Lisboa? E mais grave ainda, quem se responsabilizava pela
actualização da informação? E com que regularidade?
Em 2001 a Direcção Geral de Transportes Terrestres e Fluviais (DGTTF),
reconhecendo o potencial da solução AMMOS decidiu promover a sua
expansão criando um projecto de informação ao público de âmbito regional
e nacional. E foi assim que em 2004 os antigos parceiros do AMMOS e a
DGTTF estabeleceram uma parceria para a criação do Transporlis. Em
contrapartida da disponibilização do algoritmo de cálculo o sistema de
informação foi reactivado e foi dada a garantia de actualização dos
dados.
Para evitar potenciais contratempos foi decidido que o
desenvolvimento do Transporlis seria efectuado em fases, operador a
operador. Esta decisão revelou-se acertada e decisiva aquando dos
testes. Afinal, é muito mais fácil identificar potenciais erros quando
se trabalha apenas com um operador.
No final o sistema foi criado de forma a permitir actualizações
automáticas ou semi-automáticas. Por exemplo, todas as noites a Comboios
de Portugal (CP) actualiza as informações referentes aos horários. Já a
Carris, por seu lado, apesar de estar preparada para fazer o mesmo,
necessita de um comando, ou seja ainda não procede a actualizações
automáticas de informação para o sistema. Segundo Isabel Rebelo, a
maioria dos operadores tem interfaces estabelecidos que permitem a
importação automática dos dados. Acontece que esta nem sempre se
justifica. Os horários da Transtejo, por exemplo, são inseridos
manualmente. O mesmo acontece com o Metropolitano de Lisboa, que
funciona com base em intervalos de tempo. Desta forma, quando é
necessário basta alterar a hora da primeira partida para que tudo se
automatize.

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Ou seja, aquela que era talvez a principal preocupação do projecto, a
actualização da informação disponibilizada, ficou resolvida. Os
parceiros ficam responsáveis pela mesma. Até porque é do seu interesse
que esta esteja o mais correcta possível.
Mas a questão da actualização não se prende apenas com a (boa) imagem
do portal e dos operadores de transportes. O feedback obtido assim como
as estatísticas de utilização são uma ferramenta valiosa para os
gestores. “Permite obter uma visão integrada da rede, articulada com os
outros operadores”, explica Isabel Rebelo. Desta forma o gestor consegue
saber não só se está a dar a informação adequada, se esta tem a
qualidade necessária, mas também se apercebe de possíveis insuficiências
na sua rede de transportes.
Embora o Transporlis já esteja bastante completo há sempre espaço
para melhorias. Afinal é um projecto em constante evolução. Razão pela
qual foi definido que cada operador contribuiria com um valor mensal,
atribuído em função da dimensão da frota. O montante obtido é utilizado
na exploração e em pequenos desenvolvimentos. Para novas funcionalidades
o Transporlis conta com o apoio da Direcção Geral de Transportes
Terrestres e Fluviais, no âmbito do Pós-Conhecimento, com o
co-financiamento, a 75%, do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional da
União Europeia (FEDER).
A comunicação e o futuro do projecto
Agora que o Transporlis já foi publicamente anunciado e está
operacional há que divulgá-lo. Afinal o que interessa é que o portal
seja utilizado pelo maior número possível de utilizadores. Quer sejam
portugueses ou não. Uma coisa importante a referir é que o Transporlis
tem uma versão em inglês. Uma herança do AMMOS. Isto é importante
porque, presume-se, uma parte substancial dos visitantes do portal serão
turistas.
Aliás, o sector do turismo tem mostrado interesse no projecto, dado o
potencial de negócio para o sector. Tema que foi referenciado por Ana
Paula Vitorino, Secretária de Estado dos Transportes, aquando do anúncio
oficial do Transporlis: “Também o sector turístico tem demonstrado
grande interesse por estes sites, como se pode aferir pelos acessos e
referências em sites estrangeiros.”

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Ao nível da comunicação, segundo Isabel Rebelo, vai ser
disponibilizada informação sobre o portal em diversos quiosques
adquiridos expressamente para o concelho de Lisboa, sendo nas restantes
zonas da AML disponibilizada essa mesma informação através dos quiosques
adquiridos, no âmbito do projecto Cidades Digitais.Além disso os vários
parceiros envolvidos têm links directos ao Transporlis. Por exemplo, se
for ao site da Carris e efectuar uma simulação de percurso é
automaticamente redireccionado para o Transporlis. Por outro lado, como
refere Isabel Rebelo, a própria Autodesk, bem como e em colaboração com
a GISMÉDIA, SA, tem estado bastante activa na divulgação e promoção do
projecto. Aliás o recurso a acções conjuntas com os parceiros não se
fica por aqui. O Transporlis está integrado no portal do Sapo e há a
possibilidade de se vir a divulgar ainda durante o corrente ano
informações sobre os horários através do call center da PT Contact.
Entretanto a DGTTF avançou com um projecto a nível nacional,
desenvolvendo o site Transpor e assegurando a sua articulação com o site
TransporLis. A definição oficial diz que se trata de um site de
informação multimodal sobre as alternativas de transporte público
existentes em Portugal continental. A vantagem apontada assenta na
possibilidade de o utilizador poder calcular o melhor caminho através de
um algoritmo de optimização (em Itinerários), consultar as soluções
directas de transporte (em Horários e Tarifas), efectuar pesquisas (no
Mapas) obter informação sobre os diversos operadores de transporte de
passageiros em actividade. Mas há mais. Com o Transporlis activo
avançou-se para a área metropolitana do Porto, com o projecto
Itenerarium. O objectivo é fazer portais semelhantes ao Transporlis não
só na Cidade Invicta mas também em outras regiões do país, como a região
do Médio Tejo e o Algarve.
No futuro existirão diversos portais de várias cidades, que estarão
interligados num “futuro sistema nacional de informação ao público sobre
todos os transportes nacionais - o Portal Nacional de Transportes -
contribuindo de forma decisiva para uma mudança de paradigma da nossa
mobilidade colectiva”. Enquanto esse dia não chega, o seu
desenvolvimento e utilização contribui para que se consiga obter uma
visão integrada do sistema de transportes urbano. Visão que será
extremamente útil às futuras Autoridades Metropolitanas de Transportes.

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